Microplásticos e fertilidade

Este artigo explora as evidências científicas mais recentes, discutindo os potenciais impactos dos microplásticos na fertilidade.

Microplásticos e fertilidade: o que os olhos não veem, os ovários sentem

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Os microplásticos são partículas menores que 5 milímetros, resultado da degradação dos plásticos que invadiram nosso ambiente — do ar que respiramos à água que bebemos e os alimentos que consumimos. A preocupação ambiental sobre esses resíduos ganhou nova dimensão com a recente descoberta da presença dessas partículas no fluido folicular humano, um ambiente fundamental para o desenvolvimento do óvulo e o sucesso da fertilização¹.

Este artigo explora as evidências científicas mais recentes, discutindo os potenciais impactos dos microplásticos na fertilidade feminina e os desafios para a prática clínica na área da reprodução assistida.
 

O que diz a ciência?

Em abril de 2025, pesquisadores da Universidade de Padova, na Itália, publicaram uma das primeiras evidências concretas de que microplásticos estão presentes no fluido folicular de mulheres submetidas a fertilização in vitro (FIV)¹. A análise identificou partículas predominantemente de poliestireno e policarbonato em 78% das amostras coletadas¹. Essa descoberta abre uma nova linha de investigação sobre a exposição humana a microplásticos e seus efeitos diretos na saúde reprodutiva.



Além de serem partículas físicas, os microplásticos atuam como vetores para diversas substâncias químicas nocivas, incluindo bisfenol A (BPA), ftalatos e metais pesados, todos com reconhecido potencial para desregulação endócrina e efeitos tóxicos no organismo²,³.

Impactos biológicos e mecanismos envolvidos

Estudos experimentais indicam que a exposição a microplásticos pode:

Embora essas evidências ainda estejam em estágio inicial para humanos, elas apontam para um cenário preocupante, que deve ser investigado com urgência.
 

 

Implicações clínicas e desafios para a prática médica

Para ginecologistas e especialistas em reprodução assistida, a presença de microplásticos no fluido folicular traz algumas indagações cruciais:

Como a exposição ambiental cumulativa pode estar influenciando a incidência de infertilidade inexplicada?
De que forma o histórico ambiental e de exposição química deve ser incorporado na anamnese?
Existem métodos para avaliar a carga de microplásticos em pacientes e mitigar seus efeitos?
Que estratégias preventivas podem ser adotadas para minimizar a contaminação durante tratamentos de fertilização in vitro?

Atualmente, não há protocolos estabelecidos para avaliar diretamente a influência dos microplásticos no sucesso dos tratamentos, mas a conscientização sobre o tema já está crescendo no meio científico e clínico⁸.

 

O futuro da pesquisa e cuidados na fertilidade

Além do estudo italiano, outras pesquisas internacionais estão se debruçando sobre o tema. Um estudo recente da Universidade de Queensland, Austrália, destacou que a ingestão crônica de microplásticos pode comprometer a função ovariana em roedores, reduzindo a fertilidade⁹. Outro levantamento publicado na revista Environmental Health Perspectives associa a exposição a contaminantes plásticos com alterações na qualidade do líquido folicular e queda na taxa de gravidez em tratamentos assistidos¹⁰.

Esses dados reforçam a necessidade de protocolos mais rigorosos para monitorar e minimizar a exposição a microplásticos, tanto na vida cotidiana quanto em ambientes clínicos.

A descoberta de microplásticos no fluido folicular humano representa um alerta para a medicina reprodutiva e a saúde feminina. O impacto potencial dessas partículas e seus contaminantes no microambiente ovariano ainda está sendo desvendado, mas a evidência aponta para riscos reais e silenciosos que precisam ser levados em conta na prática clínica.
 

Referências:
1. The Guardian, abril de 2025. Disponível em: https://www.theguardian.com/society/2025/apr/19/microplastics-human-ovary-follicular-fluid  Acesso em 21 de maio de 2025.
2. Biology of Reproduction, 2023. Disponível em: https://academic.oup.com/biolreprod/advance-article/doi/10.1093/biolre/ioaf054/8089757  Acesso em 21 de maio de 2025.
3. Environmental Science & Technology, 2022. Disponível em: https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0147651325002040  Acesso em 21 de maio de 2025.
4. Toxicology Letters, 2024. Disponível em: https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0147651325005640  Acesso em 21 de maio de 2025.
5. Environmental Research, 2024. Disponível em: https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0013935124008703  Acesso em 21 de maio de 2025.
6. Toxicology, 2023. Disponível em: https://www.sciencedirect.com/science/article/abs/pii/S0278691523003721  Acesso em 21 de maio de 2025.
7. Environmental Research, 2025. Disponível em: https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S2214750025000721  Acesso em 21 de maio de 2025.
8. The Lucky Egg Blog, maio de 2025. Disponível em: https://theluckyegg.com/microplastics-and-fertility-is-it-time-to-panic/  Acesso em 21 de maio de 2025.
9. UQ News, maio de 2025. Disponível em: https://www.uq.edu.au/news/article/2025/05/dishwashing-containers-source-of-microplastic-pollution  Acesso em 21 de maio de 2025.
10. The LIFE Study.” 2025. Disponível em: https://ehp.niehs.nih.gov/1205301  Acesso em 21 de maio de 2025.

BR-DIG-MA-2500001

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