A CID-11, 11ª Revisão da Classificação Internacional de Doenças promovida pela Organização Mundial da Saúde (OMS), representa uma modernização conceitual e tecnológica do sistema de codificação médica, agora totalmente digital e multilíngue.4
No Brasil, houve avanços significativos entre 2023 e 2024: o Ministério da Saúde, em parceria com a Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS) e a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), concluiu a tradução da CID‑11 para o português, resultando na disponibilização da versão adaptada na plataforma oficial da OMS pela primeira vez.1,2
A implantação nacional segue em etapas bem definidas. Guiada pela Nota Técnica nº 91/2024, a adoção plena está prevista para 1º de janeiro de 2027, considerando a complexidade de adequar sistemas de informação em saúde, capacitar profissionais e preservar a continuidade das séries históricas.1
Pressupostos técnicos e estratégicos acompanham esse processo:
Sustentação em cinco eixos prioritários — publicação e tradução; infraestrutura tecnológica; qualidade dos dados; capacitação; e disseminação — com base no Guia de Implementação da OMS e referendados pela Nota Técnica do Ministério da Saúde.2
A transição inclui um período intermediário de convivência com a CID‑10 atualizada (versão de 2019) para manter interoperabilidade e segurança nos registros.2
Implicações relevantes para a prática médica incluem:
Necessidade de adaptação de prontuários eletrônicos e sistemas clínicos para incorporar os novos códigos digitais;3
Atualização de fluxos de trabalho em vigilância e pesquisa epidemiológica;3
Capacitação das equipes clínicas e administrativas para garantir precisão no uso da CID‑11.3
A adoção da CID‑11 representa um marco para a modernização da saúde no Brasil, possibilitando maior precisão e padronização nos registros clínicos, epidemiológicos e administrativos. Com sua estrutura digital avançada e detalhamento mais amplo, a nova classificação traz benefícios diretos para a prática médica, facilitando a comunicação interdisciplinar e a tomada de decisão baseada em dados mais robustos.4
A transição requer preparo e engajamento dos profissionais de saúde para a correta utilização dos novos códigos e para o aproveitamento pleno das melhorias que a CID‑11 oferece, garantindo assim avanços na qualidade do atendimento e no planejamento de políticas públicas.1
Por isso, acompanhar as atualizações, investir na capacitação e preparar os sistemas de informação são passos essenciais para a integração eficiente dessa nova ferramenta ao cotidiano clínico.2
Referências:
1. Ministério da Saúde, 13 de janeiro de 2025. 11ª Revisão da Classificação Internacional de Doenças será implementada no Brasil até 2027. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/noticias/2025/janeiro/11a-revisao-da-classificacao-internacional-de-doencas-sera-implementada-no-brasil-ate-2027 — Acesso em 11 de agosto de 2025.
2. Revista Saúde Pública da OPAS (scielosp.org), julho de 2025. Panorama da implementação da CID‑11 no Brasil. Disponível em: https://www.scielosp.org/article/rpsp/2025.v49/e55/ — Acesso em 11 de agosto de 2025.
3. Jornal da USP, junho de 2025. CID‑11: O que traz a nova Classificação Internacional de Doenças. Disponível em: https://jornal.usp.br/ciencias/cid-11-o-que-traz-a-nova-classificacao-internacional-de-doencas/ — Acesso em 11 de agosto de 2025.
4. The World Health Organization (WHO), 14 de fevereiro de 2025. WHO releases 2025 update to the International Classification of Diseases (ICD-11). Disponível em: https://www.who.int/news/item/14-02-2025-who-releases-2025-update-to-the-international-classification-of-diseases-%28icd-11%29 — Acesso em 11 de agosto de 2025.